Enquanto lê este texto, você vai repetindo internamente
cada palavra, como se 'lesse em voz alta para o seu cérebro',
como um eco, como se o cérebro precisasse ouvir palavra por
palavra; como se as imagens das palavras fossem para a boca e só
depois fossem 'faladas' para o cérebro. Ele não precisa
disso, seus olhos captam fotograficamente cada letra, cada palavra
e envia para o cérebro que, mal acostumado na infância,
quando lhe ensinaram a ler, sente a obrigação de repetir
tudo como se estivesse pronunciando com a boca. Tentamos fazer o mesmo
com imagens, sentimos necessidade de associá-las com algo que
conhecemos e, assim como com a leitura, sofremos seqüelas do
nosso ingênuo método de ensino. Durante o tempo que você viveu, conheceu quase tudo o que o mundo pode lhe oferecer e hoje, sempre que você vê algo, tenta buscar no seu "arquivo" coisas que já conhece para associar com o que está vendo. E se o que vier do seu arquivo for agradável, você também acha agradável o que vê. As imagens vão mais ou menos por aí, é para você olhar e em vez de explicar, sentir. Relaxe, livre-se por um momento da sensação de que não compreende e deixe-se levar por elas. Deixe-se embalar pela música e o resto seu espírito fará. Lembre-se, você não tem obrigação de absolutamente nada. Enquanto faço, uso apenas intuição. Faço de conta que estou em um laboratório de química, e fico
testando combinações e vendo o que o resultado poderia causar à sua
alma.
Não tenho pressa em terminar, não tenho um número de horas para fazer
cada uma. Não são precisas como letras que se combinam e formam palavras; não são fotografias de objetos que fazem parte do seu dia a dia. Na verdade não dá muito para fugir disso, nós somos o conjunto de informações que acumulamos durante a vida, mas se você se permitir olhar sem 'amarras', sem 'pré-conceitos', como uma criança que ainda está acreditando que tudo no mundo é possível, que ainda não tem 'calcificado' o certo, o errado e o impossível, você se permitirá olhar sem ter que interpretar, sem ter a obrigação de colocar em uma ou outra caixinha, classificando como isso ou aquilo, simplesmente deixe passear os olhos. Experimente reservar um tempo para se sentar em frente a ela, deixar a musica lhe envolver e, sem pretensão nenhuma, passear os olhos pelos volumes, pelos brilhos, pelas transparências, sem pressa, deixe seus olhos passearem por onde quiserem, deixe-os pararem onde quiserem e deixe seu espírito 'beber' dela sem esforço algum... Eu costumo dizer que elas contém informações em 'linguagem de máquina',
a língua que o seu cérebro entende diretamente, sem a necessidade
de você interpretar absolutamente nada, pelo contrário, se você se
colocar como intérprete entre ela e o cérebro, você não permitirá
que as informações cheguem ao seu espírito. João Ricardo Spagnollo |