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Enquanto lê este texto, você vai repetindo internamente cada palavra, como se 'lesse em voz alta para o seu cérebro', como um eco, como se o cérebro precisasse ouvir palavra por palavra; como se as imagens das palavras fossem para a boca e só depois fossem 'faladas' para o cérebro. Ele não precisa disso, seus olhos captam fotograficamente cada letra, cada palavra e envia para o cérebro que, mal acostumado na infância, quando lhe ensinaram a ler, sente a obrigação de repetir tudo como se estivesse pronunciando com a boca. Tentamos fazer o mesmo com imagens, sentimos necessidade de associá-las com algo que conhecemos e, assim como com a leitura, sofremos seqüelas do nosso ingênuo método de ensino.
A nossa visão é uma ferramenta poderosa, enquanto seria preciso centenas de palavras para descrever um rosto, uma fração de segundos que os seus olhos fixarem em um rosto, bastará para que nunca mais o esqueça, embora você veja centenas de rostos todos os dias e todos eles tenham os mesmos elementos, nosso cérebro é capaz de identificar cada um deles.

Durante o tempo que você viveu, conheceu quase tudo o que o mundo pode lhe oferecer e hoje, sempre que você vê algo, tenta buscar no seu "arquivo" coisas que já conhece para associar com o que está vendo. E se o que vier do seu arquivo for agradável, você também acha agradável o que vê.

As imagens vão mais ou menos por aí, é para você olhar e em vez de explicar, sentir. Relaxe, livre-se por um momento da sensação de que não compreende e deixe-se levar por elas. Deixe-se embalar pela música e o resto seu espírito fará. Lembre-se, você não tem obrigação de absolutamente nada.

Enquanto faço, uso apenas intuição. Faço de conta que estou em um laboratório de química, e fico testando combinações e vendo o que o resultado poderia causar à sua alma. Não tenho pressa em terminar, não tenho um número de horas para fazer cada uma.
É muito comum dedicar horas em uma delas e concluir que ela não merece existir e imediatamente ela deixa de existir.
Elas são uma combinação infinita de possibilidades, que nem mesmo eu conseguiria repetir. São como barro, vão surgindo e vão se tornando o que são, quase que por si mesmas...

Não são precisas como letras que se combinam e formam palavras; não são fotografias de objetos que fazem parte do seu dia a dia.

Na verdade não dá muito para fugir disso, nós somos o conjunto de informações que acumulamos durante a vida, mas se você se permitir olhar sem 'amarras', sem 'pré-conceitos', como uma criança que ainda está acreditando que tudo no mundo é possível, que ainda não tem 'calcificado' o certo, o errado e o impossível, você se permitirá olhar sem ter que interpretar, sem ter a obrigação de colocar em uma ou outra caixinha, classificando como isso ou aquilo, simplesmente deixe passear os olhos. Experimente reservar um tempo para se sentar em frente a ela, deixar a musica lhe envolver e, sem pretensão nenhuma, passear os olhos pelos volumes, pelos brilhos, pelas transparências, sem pressa, deixe seus olhos passearem por onde quiserem, deixe-os pararem onde quiserem e deixe seu espírito 'beber' dela sem esforço algum...

Eu costumo dizer que elas contém informações em 'linguagem de máquina', a língua que o seu cérebro entende diretamente, sem a necessidade de você interpretar absolutamente nada, pelo contrário, se você se colocar como intérprete entre ela e o cérebro, você não permitirá que as informações cheguem ao seu espírito.
Olhe e deixe sentir o que sente quando vê o céu, quando vê um lindo luar. Você não tenta explicar o luar, você apenas sente o mágico que aquilo lhe traz e jamais conseguiria colocar precisamente em palavras...
O que tento colocar nelas é um conjunto de informações que lhe cause sensações agradáveis.
Por isso além da imagem sempre coloco uma música, ela não é apenas um som de fundo e sim uma soma informações para a sensação que lhe deve causar.
Experimente olhar agora, dessa nova forma e veja como elas lhe parecerão diferentes do que eram antes.

João Ricardo Spagnollo